3.2.09

O "téni" | | Quase penínsulas

Citado pelo Público, o Primeiro-Ministro chinês terá mencionado que um simples atirar de "téni" por um simplório jovem não afectaria a amizade entre o Reino-Unido e a China.
O senhor Wen Jiabao até terá dado um ar da sua graça, lançando a piadinha forçada que lhe acompanha o sorriso: "Para a próxima, estarei atento não só aos que têm o braço no ar, mas também aos que desatam sapatos".

Considero as declarações acima citadas como um exemplo do modo como a China sempre reagiu, e cada vez mais reagirá, a posições exteriores sobre a sua conduta (mantenhamos a memória fresca, e recordemos os acontecimentos de Março passado, aquando dos "incidentes" no Tibete, que provocaram, entre outras reacções, o boicote aos produtos franceses, franceses estes que, neste actual périplo chinês pela Europa, não puderam testemunhar a presença do Primeiro-Ministro Wen Jiabao...).

Porque talvez o simplório jovem não saiba que a China é sensibilíssima a qualquer tipo de crítica, e nem é preciso ler esta e esta crónicas para o saber: quando alguém afirma que um dos dirigentes chineses é um ditador, não percebe que há perto de um milhar de milhão e seiscentos milhões de pessoas que considera essa afronta (ou será "afronta"?) como a si própria infligida. E é igualmente esse milhar de milhão e seiscentos milhões de gente que acredita que aquela sapatilha* foi lançada não só por aquele simplório jovem, mas pela mão do resto do mundo que não deixa o Império do Meio** ocupar-se com os seus assuntos internos.

Quer se seja a favor ou não (e esta é, talvez, a parte mais assustadora), a China, que a cada dia ganha maior importância a nível internacional (vamos ver o que virá a crise provocar neste peso aos olhos do Ocidente, mas desconfio que não muito)***, continua a encarar, mais cousa menos cousa, todo o noroeste do seu mapa como o principal provocador das humilhações que sofreu desde o século XVIII; é este o noroeste, considerado como a encarnação do "diabo", que assombra o desenvolvimento harmonioso da sua sociedade, infectando-a com ideias subversivas e pouco saudáveis.

Mais cousa menos cousa, dizemos nós, porque falta mencionar a outra parte do mapa com que o país faz "fronteira". O Japão é o outro "demónio" que ainda impede a China (e, convenhamos, quase 99% dos outros países asiáticos) de ter relações "mais descontraídas" entre si.

Mas não será, até certo ponto, compreensível?
Façamos a experiência momentânea e sejamos todos umbiguistas nestes assuntos de Estado: ponhamos o nosso "mais que tudo" no centro do mapa global e consideremos a nossa circunstância sob esse ponto de vista...

Como ilhas que, porventura, somos, muitos de nós poderão considerar uma ameaça tudo aquilo que nos rodeia...

* Confesso que "téni" é uma mera piada interna. Na minha terra, a palavra téni apenas existe no plural e serve para designar o nome do desporto... Espero que ainda assim continue a ser...
** Acho que já aqui referi que China, do chinês 中国, se traduz como o "País do Meio", o que, a meu ver, denota a perspectiva bastante explícita de como a China se encara a si própria.
*** Porque em muitos outros olhos, como, por exemplo, o africano, é provável que não faça grande diferença...

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2.2.09

Escorrei, caí no chão...

No joelho eu fiz um dói-dói...
E nas mãos, dois arranhões...

E não me lembro como foi mesmo!

Demorei dois segundos a tentar equilibrar-me ainda, a desafiar as leis da gravidade e dos sapatos de cunha de dois centímetros, a pensar: "Isto não me está a acontecer! Isto não me pode estar a acontecer... Isto não me vai acontecer..."
E não é que aconteceu mesmo?

Mala para um lado, sapato para o outro, e tenho a leve impressão que o guarda do portão assistiu ao espectáculo todo sem emitir riso, opinião ou sinal de ajuda.
Recompus-me, meia coxa, dei meia volta e fui engolir a vergonha e a risada para a casa-de-banho.

Mas dói muito!
Vou desisitir, definitivamente, dos sapatos com mais de um centímetro de tacão, que isto quem não tem jeito, não o ganha nunca.

Pronto!

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