31.12.08

Livro de Balanços - 2008 | | As 12 passas para 2009

Este ano, as tendências estiveram abaixo da média.

Acho que nem foi a crise. Aqui, quase que nem chega(ou).
Não foram os quilómetros de descoberta que (quase) não houveram...
Nem foi o trabalho, nem a falta dele (ondulando).
Não foi a saúde, muita, que me acompanhou.

Creio que, primeiro, foi a rapidez da coisa.
Nunca nenhum ano me tinha ultrapassado assim, tão depressa, sem me deixar saborear, pelo menos, as coisas boas.

Depois, esta coisa de querer agarrar, precisamente, o tempo (e talvez, por isso...).

Perceber que já é tempo de poder pensar em fazer aquilo que me apetece (e isso, o que é?).
Perceber que estou encravada num sítio que me deixa pouca margem de manobra para fazer coisas (com os pés, com as mãos, com a cabeça), conhecer gente (interessante), respirar ar puro, ver verde e limpo.

Ver as pessoas longínquas, crescerem sem mim, crescer uma certa distância (de segurança ?), lavrada por mim. 
Ir-me lembrando entre a obrigação de gente e a repentina.

Já se foi a matriarca, já perdi um casamento.
Mas há que tempos!
Já perdi uma despedida definitiva, já perdi um nascimento.

E, neste entretanto dum ano, não apr(e)endi quase nada.
Este ano, quase nem cresci. 
Sinto-me menos gente...

*************************************************************************************

:::2009:::

Respirar...
Inspirar...
Pensar...
Planear...
Fazer...
Fazer possível...
Rir, escancaradamente!
Viver, desmesuradamente!
Chorar, um bocadinho...
Caminhar...
Equilíbrio!

Etiquetas: ,

27.12.08

O ciclo da vida | | 26 de Dezembro

Depois da festa, da grande festa, dos copos, que se embatem, das revoluções de papel pelo chão, dos sapatos que voltaram aos seus pés, das migalhas insistentes pela mesa, da louça lavada, dos talheres sujos e limpos que ainda persistem, das luzes na árvore e nas ruas, que parece fazerem menos sentido agora que já passou a festa...

Depois da festa, vem o peso.
Vem o vazio dum clímax que se repetirá no ano que seguir.
Vem o telefonema e a desgraça, a surpresa da desgraça, a incredulidade da desgraça.
O preto do luto, dois anéis que passam a ocupar um só dedo, o que ficou, aquele que ainda não acredita que, depois da festa, possa haver tanta desgraça.

Silêncio.

Depois da festa, da grande festa e do silêncio, acontece o inesperado.
Há alguém que, antes do tempo, grita o primeiro grito de vida.
Surge e emerge e preenche o vazio do depois da festa e depois do luto.
Aparece, despido, frágil, inocente, sem sequer saber ainda o que representa essa sua aparição.

No dia 26 de Dezembro, depois da festa, o meu avô materno morreu, há 14 anos atrás.
No dia 26 de Dezembro, depois da festa, nasceu o Santiago, para perpetuar este ciclo de vida.

Viva!

Etiquetas: ,

21.12.08

Por linhas tortas | | Prendas de última hora

Às vezes, dá-me e sai isto.

Não consigo parar enquanto não terminar.
Apesar de ser tudo MUITO simples e MUITO arcaico (não tenho máquina de costura, não tenho régua, não tenho alfinetes, não tenho lápis de costureira, não faço moldes), assim à moda em que faço bolos (ou quase tudo o resto...), vai surgindo...

Quando acabo, quase sempre gosto, apesar das imperfeições.

Para esta capa para passaportes, cujo tutorial excelente vem daqui, converti as polegadas em centímetros e medi tudo com uma folha de papel A4. 



Talvez pudesse passar a fazer tudo com um pouco mais de organização, para as próximas vezes que venha a repetir as fórmulas (quase sempre me esqueço o que deveria melhorar na vez seguinte...).

Mas, assim, é como se fizesse tudo pela primeira vez.

E coser tudo à mão, leva mais tempo, mas sabe melhor (especialmente, agora, que é Inverno), além de ser uma óptima desculpa para as linhas que saem tortas ou para os cantos que não batem certo.

As outras criações MUITO simples são:

Bases para copos


Uma pregadeira pompom


Um porta-tabuleiros (demorei um pouco mais a fazê-lo, porque não consegui encontrar uma argola; fiz uma muito raquítica, com cartão e lã, tal como se fosse fazer um pompom, mas sem lhe cortar as linhas)


Várias malas-okayimono (de ir às compras, mas que já ofereci sem nunca ter fotografado...)

6.12.08

Segunda || Terça || Quarta || Quinta || Sexta

segunda ::: dot.com


[o menino jens é assim entre o tímido e o descarado.
uma pitada de morrissey com marvin gaye, às vezes tropical, às vezes selva, às vezes, mas só um bocadinho, beck, com barcos do amor ao fundo.
o primo afastado que só reencontramos nas férias grandes, por quem temos um fraquinho que nos há-de acompanhar quase a vida toda, que é acólito inocente, olhando, insistentemente, o alto, enquanto faz declarações de amor às primas giras.
o menino jens tem sapatos brancos, em bico, meias roxas e uma chave ao pescoço.
ofereceu-se para cantar canções a quem quisesse, ao ouvido, já depois do fechar da cortina.
a mim, o menino jens cantou-me kylie minogue, que lhe pedi eu.
só não sei por que não me arrepiei]


quarta ::: cervejas com alemães e colegas da europa inteira

quinta ::: entre -2 e -13 graus, entre prendas de natal à mão, tomei uma minúscula decisão

[após assistir a este vídeo, decidi doar parte do meu salário de dezembro a duas ong's que apoiam crianças em risco: stepping stones, a organização que ajuda crianças nigerianas a fugir do abandono e da estupidez; morning tears, ong que ajuda filhos de pais condenados à morte ou que estão presos, órfãos, meninos que não foram registados à nascença e que não têm direitos, a terem uma vida minimamente decente]

sexta ::: embrulhar presentes que o
sinter klaas vai entregar amanhã +++ jantar de natal com a comunidade

para a semana, talvez haja mais semana

Etiquetas: , ,

2.12.08

Tenho saudades tuas | | cat ao cubo ::: tu, ela, ele



© Rafaela Teves 

E te deixo esta canção, curtinha.


* e esta, a mesma, do outro cat ::: 

1.12.08

Vendaval

cabelos-âncora esperneiam.

as folhas dos caminhos...
em ondas indecisas.

Etiquetas: