25.6.08

Cantada | | 我们 | | Um estranho romantismo | | Declaração sucinta

"Os teus olhos dizem tudo, e mais o teu cabelo... 

E as pontas dos teus dedos....
Vou poder tocar-lhes sem que tu consintas..."


E depois lembro-me...

Que nunca falaste dos meus dedos, do meu cabelo, dos meus olhos, de mim...


Eu sou para ti tudo aquilo que serás sempre para mim...

Um todo...
Sem feitiços, supertições ou traduções...

Assim, um K. com todas as letras...
Que me lembra, todos os dias, quem somos...

Etiquetas: ,

24.6.08

Senta-te aí...* | | Verão

Deixa-me contar-te...
E vamos falar até amanhã de manhã...

Deixa-me contar-te sobre isto daqui do meu interior e tu interrompes e dizes-me de ti.

Vou guardar todas as noites para ti.
Mesmo na distância.

E esperar que tudo volte a fazer sentido.

Ligo a telefonia sintonizada, para me lembrar de mim.
Para logo desistir, ou querer desistir deste hoje que sou eu...
E voltar para trás...

Então, penso: vamos começar de novo.
Eu estarei lá para saber os segundos da tua primeira vida.

E também tu terás tempo para ouvir:

Era uma vez...

Na época dos nevoeiros e dos barcos com asas...

* Jorge Palma

Etiquetas: ,

8.6.08

Buga, a esbugalhada

O pior de sermos nós mesmos não é isso.
É ouvirmos o pior de nós mesmos ser dito a outros que não sabem a parte de nós que é a melhor.

Quando temos tanto para dar, quando ninguém percebe que somos os melhores nalgumas coisas e que essas coisas não voltam para as pessoas que conseguem dizer o pior.

Nunca mais!

Mesmo que essas sejam as mesmas pessoas que estejam lá a afagarem o nosso ombro quando choramos sobre uma gata que nos acabou de morrer ao telefone.
A gata de quem esquecemos a idade...
A quem demos o nome.
Aquela que não entendemos depois de tanta família chegar de novo e ela não saber quem são aqueles parentes.
Aquela de quem nos apercebemos de que nunca tirámos uma fotografia.
Aquela que sabemos que era a que se lavava mais.
A que se tornou a estranha entre novos felinos bonitos e peludos.
Que morou lá fora, no Inverno, e onde eu não estava para lhe dizer que não fazia mal vir par dentro, porque eu lhe daria guarida.
No Inverno, no Verão, ou em qualquer outra estação em que ela passasse a ser diferente.

Eu ainda me lembro de um dia, há muito tempo, a minha tia chorar e a minha avó pegar num bichinho amarelo, quase branco, côr de areia...
E chamar muitos nomes feios a um camionista que passou naquela rua.
Eu lembro-me da cadela e dos intestinos e do estômago e talvez também do coração terem saltado cá para fora da emoção de terem sido pisados pelo monstro que era o camião.
Também me lembro dum dia, ao regressar de férias, ver um cão parado pela metade, e dos criminosos e da cara de pânico sua, minha, e da minha irmã pensar que era tudo teatro. Meu.

No pior de mim, revelo um coração.
Um coração que escondo nos dias...

Contam-me as histórias dos meus gatos que vão partindo tão depressa, que já me esqueci.

É no nosso jardim que dormes agora?
Consegues pressentir o limoeiro que ainda é meu?
E perdoar todos os filhos que nunca foram teus?

Etiquetas: