Porque sim...
© Rafaela Teves
Desisti de falar contigo.
E entre minutos de gente, tu perguntas-me que quero eu.
Eu digo: quero flores, flores, flores.
Aquelas que tu te esqueces de lembrar.
Mas tu sabes que é isso.
Pétalas que não servem para nada, cheiros que hão-de morrer cedo, cores que vão esvair depressa.
Tu adivinhas, tu sabes que sou eu quem te abre a porta.
Tocas à campainha, e descaradamente o meu beijo está lá para ti.
Eu seu que fazes de propósito.
É este o teu filme romântico e o teu final feliz.
Refilas, só porque sim...
Eu sei que tu sabes que eu sei que é só para depois te abraçar e não te largar...
Lavas os dentes, e ainda assim estou lá agarrada.
Tu refilas, e suspiras ares entre os teus dentes enormes, como se fosse o fim do mundo.
Fim do mundo é já ali, onde mais ninguém pode entrar para além de nós.
Onde só suspiramos os dois, e contamos coisas que não vêm em nenhum dicionário, na nossa língua.
Tu juntas uma sílaba e eu a outra, e é assim.
Hoje perguntei-te sobre ti.
E tu falaste.
E tu nunca te calas.
Quem não te conhecer que te compre...
E tu?
Porque é que um dia me entraste pelo quarto adentro e nunca mais me soltaste?
Ainda hoje te pergunto...
E ainda hoje te reconto a nossa história... Aquela que dava um filme e já inspirou tanta gente...
E tu olhas para mim e dizes: não sei...
Porque sim...


