29.5.08

Porque sim...

© Rafaela Teves

Desisti de falar contigo.
E entre minutos de gente, tu perguntas-me que quero eu.

Eu digo: quero flores, flores, flores. 
Aquelas que tu te esqueces de lembrar.

Mas tu sabes que é isso.
Pétalas que não servem para nada, cheiros que hão-de morrer cedo, cores que vão esvair depressa.

Tu adivinhas, tu sabes que sou eu quem te abre a porta.
Tocas à campainha, e descaradamente o meu beijo está lá para ti.

Eu seu que fazes de propósito.
É este o teu filme romântico e o teu final feliz.

Refilas, só porque sim...
Eu sei que tu sabes que eu sei que é só para depois te abraçar e não te largar...

Lavas os dentes, e ainda assim estou lá agarrada.

Tu refilas, e suspiras ares entre os teus dentes enormes, como se fosse o fim do mundo.
Fim do mundo é já ali, onde mais ninguém pode entrar para além de nós.
Onde só suspiramos os dois, e contamos coisas que não vêm em nenhum dicionário, na nossa língua.
Tu juntas uma sílaba e eu a outra, e é assim.

Hoje perguntei-te sobre ti.
E tu falaste.
E tu nunca te calas.
Quem não te conhecer que te compre...

E tu?
Porque é que um dia me entraste pelo quarto adentro e nunca mais me soltaste?
Ainda hoje te pergunto...
E ainda hoje te reconto a nossa história... Aquela que dava um filme e já inspirou tanta gente...

E tu olhas para mim e dizes: não sei... 
Porque sim...

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28.5.08

Like the search of a wave...

É...
É por estas e por outras que eu continuo a acreditar que o país que agora me acolhe ainda tem um longo caminho a percorrer.
Eu sei que tudo isto são redundâncias e que continuo a bater na mesma tecla. 
Mas há (muito) mais música para além dos dj's ou das bandas que já ninguém sabe que existiram (e que ainda existem por cá!).

Esta de que falo primeiro, Cat Power, já nem me lembro como a descobri.
Sei que fiquei sentida com a "boa mulher" que ela quer ser.
Mas, ultimamente, o que me faz repetir mil vezes a melodia nos corredores de lugares de Estado, onde depois me apercebo que talvez fosse melhor não trautear sinfonias quasi-eróticas, é a versão que fez dessa grande canção "Je t'aime (moi non plus)"...

O poder aos felinos!

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25.5.08

Mijn naam is Rafaela en ik kom uit Portugal


© Rafaela Teves

Os fins-de-semana vão passar a ter só um dia: ontem, comecei as aulas de holandês e, até Setembro, vou andar nesta vida.

O jet-lag acabou-se hoje, com um sono reparador de doze horas.

Já lá vai uma semana, mas parece tanto tempo...
Não que tenha feito algo de extraordinário ou tenha acontecido alguma coisa memorável.
É só que o Reino Unido e Portugal ficam mesmo muito longe.

Guardo coisas muito bonitas daqueles dias, e que as fotos (as centenas de fotos) não conseguem focar: o verde e o azul das Terras Altas, o riso maluco dos 5 minutos de Wii, os encontros a correr com amigos (que não cheguei a ver nem metade!), o embaraço de chegarmos sempre 5 minutos atrasadas, a calma de não fazer nada, a queima das fitas com sons de puberdade, um café com alguém que encontrei sem querer, o jantar de encher com toda a família, as novelas da vida, que pode mudar tanto...

Regresso à outra metade de mim, e fico feliz.
Fico feliz por regressar e ter tomado decisões dentro de mim, que é bem provável que não vá cumprir.
Mas assim fico mais leve, e posso acordar melhor para os dias (até quando?, pergunto-me).

Faz bem ir.
E sabe bem regressar.
Parece que é sempre como nas noites de passagem de ano: vem-se cheio de energia e alegria e de promessas e de agoras-é-que-é! 

Banda sonora para estes aviões que se vão apanhando? Só pode ser esta!

E por falar nisso, a Camille fez um buraco.

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13.5.08

London Calling*

Confesso que ir de Edimburgo a Londres não pode ser dos melhores trajectos de viagem.
Não é que Londres não seja espectacular. É só que Edimburgo também é.

A multiculturalidade confirmou-se nos dias que passámos lá.
Mas o melhor de tudo foram os parques e os jardins, 



este
museu e mais este. E o facto de não cobrarem entrada.




Foi a St. Paul's Cathedral e a missa anglicana com o coro. 



Foi o luxo extremo do Harrod's.
Ah, e claro: a China Town.

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Edinburgh | Dia 3



© Rafaela Teves

O último dia escocês foi ainda mais calmo do que os outros dois: da parte da manhã, fomos ao jardim botânico, ver esquilos e comer scones, e à tarde, subi já sozinha ao Colton Hill, para ver a cidade a 200º e apreciar um céu azul como nunca vi noutro lugar.



E depois, descansei, que tive que me preparar bem para os dias que aí vinham.

Jantámos o famoso haggis, e experimentei a bebida milenar escocesa: o Irn Bru.

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3.5.08

Edinburgh | Dia 2


© Rafaela Teves

Fui à
Scottish National Gallery of Modern Art e nunca pensei que fosse tão grande.
Claro que nem metade vi, que já estava atrasada para o almoço de aniversário da E. Pelo caminho, não pude foi deixar de passar pela Water of Leith.



Apesar de termos ido à mesquita comer kebab, caril de cordeiro e esparregado, deixei metade no prato com as indisposções das mudanças de ares a que ainda não me habituara desde que cheguei.

Por isso, nem passeámos mais: passámos umas horas entre chá, conversa e
elefantes no café onde nasceu o Harry Potter, para depois, feitas meninas, irmos a umas compras rápidas, tão rápidas como a chuva que caíu.




Um breve retorno a casa, para um lanche com direito a velas e a cantar de parabéns, e um pôr-do-sol que pareceu encomendado.


O dia terminou com jantar italiano.

E muitas, muitas, muitas fotos.

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2.5.08

Edinburgh | Dia 1, parte 2


© Rafaela Teves

E depois da porta azul, a cidade...
Muitas lojas lindas (que perdição as montras destas bandas), muitos abrires de mapa, pessoas, mapa, passadeiras, obras, céu azul e cinzento, e pessoas. De vez em quando, o sotaque escocês...



A tarde foi investida na Royal Mile, e pouco mais fiz, que as milhas são extensas.

Aqui, vi a entrada do castelo, o Museu da Infância, o Parlamento, com a sua arquitectura maluca, o Palácio da Rainha, as lojas de fudge, as lojas para os turistas com os kilts, os cães, os Nessies, a cruz branca no fundo do azul-céu, um cemitério, a chuva... Os closes a esconderem outras vidas, onde não me aventurei.

E já na casa que me acolhe, os fins de tarde magníficos.


E a tristeza lá de longe...

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