



© Rafaela TevesFui viajar outra vez.
Desde a última viagem, parece que já passou um ano.
Agora que a minha urticária aparenta ter deixado de ser crónica (não me lembro da última vez que tomei um Aerius), ganhei uma tendinite, que parece querer persistir.
Por essa razão, fui pela primeira vez a um hospital sino-japonês de medicina ocidental: primeiro, à parte comum, dos chineses, onde paguei menos de 90 cêntimos para ser observada, de porta aberta, e já com o paciente seguinte sentado dentro do consultório; da segunda vez, na parte internacional, onde se paga muitas vezes mais e onde o diagnóstico foi idêntico.
De braço ao peito, rumei a sul.
Para lá, houve um atraso de 7 horas.
Entre um hotel de 3ª classe abaixo de zero e muitos berros, cheguei a Guangzhou, novamente, para partir depois para a Meca das marcas: Hong Kong.
As pessoas limpas, cheirosas, coloridas, arejadas, anglófonas, simpáticas, prestáveis.
Nunca antes vira tantos 7 eleven por metro quadrado, tantas lojas por metro quadrado, prédios fininhos, muito altos, tudo minúsculo. As ruas estreitas, os eléctricos de 2 andares, à maneira da ex-colónia, o sentido dos carros exactamente excêntrico, de medo de atravessar a estrada, porque sempre a olhar para o lado errado. Água, água, cheiro a mar, e peixes a saltar ao pôr-do-sol, acompanhando os turbo-jets.
Tudo caríssimo, mas eram meio-férias, meio-a-sério, por causa do visto. Agora, sou turista de direito!
Civilização, manifestações seguidas em directo pela t.v.
Um quarto minúsculo, onde só cabia eu e mais metade de mim. Um quarto num prédio que parecia o Martim Moniz: chineses, africanos, indianos/paquistaneses. Filas para o elevador à hora de ponta.
O barco, meio dormente, para Macau.
Ah, chegar e ver o céu azul, o sol a queimar, como em Portugal, a fealdade, como em Portugal, sardinhas assadas e uma Sagres, como em Portugal.
Tudo ainda mais pequenino, pontuado de cores aqui e ali nos prédios coloniais que vão, de repente, aparecendo.
Algum português falado nos Correios, onde a filatelia da ex-metrópole permaneceu.
O português também no nome das ruas, mas agora em segundo lugar. A Polícia Judiciária, o advogado...
Casinos, só à beira-mar, mas tanto em Macau, como em Hong Kong, muito mais fervor religioso.
Por todas as portas, pequenos "altares" a chamar a fortuna, e caixotes de metal para se queimar o dinheiro-de-brincar, as roupas-de-brincar, as dentaduras-com-escovas-e-pastas-de-dentes-de-brincar, para que não falte nada aos que já partiram. Roupa, comida, ares-condicionados, carros, cães, gatos, sapatos tradicionais ou de salto-alto, tudo feito de papel.
E por entre ruazinhas, descobri que os ninhos de andorinhas (para as sopas) existem mesmo. Mesmo.
De volta à capital, mas desta vez com 8 horas de atraso.
Dizem que era o tempo, trovoada e muita chuva.
Talvez seja daquela provocada, para que nada possa estragar o grande acontecimento dos Olímpicos.
Em Tiananmen, fizeram a festa como se fosse a verdadeira, quando ainda falta um ano.
Ontem, voltou a chover estranhamente, com direito a granizo. Nada impediu que um leilão organizado por estrangeiros para apoiar a luta contra a lepra decorresse com sucesso.
E depois, depois das tempestades, vêm dias azuis como nunca vira por aqui.
Neste primeiro Verão em Pequim, ando cansada entre trabalho e aulas de francês.
* "Special Administrative Regions" - mais fotos, aqui.Etiquetas: Deambulagens, Dia-a-dia