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© Rafaela Teves
Vou escrever-te um poema de amor!
Sobre um amor ainda mais simples!
Ou sobre um amor menos amor...
O meu país já não entra aqui...
Já não entra aqui a avenida da paz celestial.
Nem o mar que há nessa avenida...
Nem o cheiro das primeiras magnólias que brotam contra o cimento da parede mais feia!
Nem o cheiro das coisas em que tocas!
Essas coisas já não sei a que cheiram...
Eva...
Já não tens as unhas, os dedos, ou os abraços...
Há apenas a tua boleia em manhãs inesperadas...
Logo rejeitadas em electricidades perdidas em milhas nunca antes ponderadas...
O tremer da tua mão em apertos já não autênticos.
Porque há a cerimónia do desconhecido...
E a surpresa do imprevisto...
Onde residirá esse amor singelo?
O que será feito do vento?
(Será do vento?)
Afinal, penso já não escrever sobre o amor.
Escrevo antes sobre a memória antiga dum dia o ter tido, ansiando por ele, todavia...
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Etiquetas: Amor


