30.12.06

... 4


© Rafaela Teves

Acordei e vi a luz... Pensei: "Vai nevar...".
E depois levantei-me e estava tudo branco.


Apeteceu-me que o tempo voltasse atrás e houvesse novamente Natal...
Há um dia atrás do outro e parece que não há nada a festejar. Esperar que o tempo continue a passar. Esperar que para o ano seja diferente, pelo menos melhor...

Para vocês também...

E paz à alma de Saddam...

Etiquetas:

16.12.06

Take life as it comes....



© Rafaela Teves


O novo embaixador de Portugal traduz coisas estranhas para inglês...
Diz "in codfish waters" e trata toda a gente pelos dois nomes próprios que tenham.
Eu seria a R. Maria, mas afinal sou só R. Porque há a Maria, que passou a ser Maria dos Milagres, há a Sofia que passou a ser a Carla Sofia, e assim por diante.

O "codfish" este ano ficou mesmo em "codfish waters", porque chegou atrasado e não teve tempo para ir tomar banho a demolhar.
Por isso, tivémos que nos contentar com um arroz de pato confeccionado pela própria Sra. Embaixatriz, que também fez os doces, incluindo brigadeiros, que é assim daquelas coisas que me levam quase à explosão corporal, de tanto os adorar. Houve queijo e parecia que estávamos muito mais familiares, ainda que fôssemos menos.
A Sra. Embaixatriz também nos levou a todos a dar de comida aos gatos do jardim.

Faltou a pianista, porque parece que sai cara por uma só noite.

E foi assim...
Vou-me preparando devagarinho para este Natal estranho que se aproxima.
Aproxima-se com as coisas más que às vezes a vida nos traz sem avisar, com as pequenas descobertas pesadas do tempo a passar pelo corpo...

Pesadas pequenas lições que vamos sempre aprendendo.
Será que alguma vez elas vão deixar de pesar tanto?

Etiquetas: ,

13.12.06

As prendas só se dão quando uma pessoa quiser...*


© Rafaela Teves


Quem ouvir a minha mãe, pensa em juventude, pensa em meninice, pensa em risos traquinas...

Diz-me tu...
É verdade?


* Desculpa para prendas (electrónicas) muito atrasadas...

2.12.06

Matrimónio || Ou a estranheza da ausência Parte II


© Rafaela Teves



MOTE

"Eu te baptizo em nome da terra, dos astros e da perfeição"*


LEITURA DAS ESCRITURAS

Ninguém vai recordar a tua estória de amor.

Ela não vai aparecer em nenhum livro de crianças de contos de fadas ou de princesas, ainda que tenha um final feliz, ainda que vivas feliz para sempre.

Essas estórias dos livros vivem de felicidades momentâneas e de reencontros impossíveis, de beijos únicos que só se repetem uma vez.

Ninguém quererá saber das brigas do dia-a-dia, dos beijos da manhã com hálito da noite passada, dos beijos apaixonados de noite de lua cheia, dos abraços das pazes e das guerras, ninguém quererá saber dos finais felizes constantes entre lavares-de-louça e pores-de-mesa, ou dos finais para sempre em amores que só voltarão em fotografias cheias de pó.


O amor do dia-a-dia das pessoas do quotidiano ninguém quererá saber.


Por isso, lembra-te bem!

Planta a árvore, tem o filho, escreve o livro da tua história dentro de ti.

Nunca te esqueças deste dia, nunca te esqueças da razão deste dia, nunca te esqueças da tua estória!
É o teu conto de fadas escrito no livro do teu dedo anelar...


CERIMÓNIA

Eu te baptizo, meu amor.

Eu te dou o nome e juro, neste dia e em todos os outros que hão-de vir, ser tua em tudo aquilo que sou.

Juro amar-te e respeitar-te, e vice-versa, e aconchegar-te nas noites do frio, ou em que, menino, estejas triste.

Prometo estar presente na doença e na saúde, na alegria e na tristeza, nos dias que não sabem a nada, nas noites em que estiveres cansado e em que não restar mais nada para além da minha presença a teu lado.

Juro-te estar contigo nesse silêncio cansado, no silêncio sem sentido, nas palavras sem nexo, nas demasiado pesadas...

Juro que estarei contigo e a teu lado, na pobreza e na riqueza, mesmo que já não sobre nada, mesmo que já não haja casa....

Juro-te, meu amor, que mesmo que a morte nos visite de mansinho, te trarei dentro de mim, sem nunca poder esquecer-te.

Juro-te, meu amor...
Eu te juro...

Ámen...


POST-SCRIPTUM

Escrevi isto faz mais de dois meses.
Já pensava neste dia nessa altura, e na minha ausência nessa grande festa.

Também já nessa altura, pensava que iria estar convosco em espírito, nesse espírito que não concordamos em saber qual é, mas em que ambas sabemos existir e acreditar.

Penso, por vezes, que seria mais um dia que passa, em que a minha presença a falar demasiado alto, seria apenas mais uma, em que o meu corpo a dançar, malucamente, seria apenas mais uns braços e umas pernas.

Agora, queria estar aí com tanta força!
Agarrar na cauda que não sei se terás, apanhar o ramo que não sei se vais enviar, rir-me e chorarmos as duas com a felicidade e a estranheza destas coisas que nos passam a todos...

Repetir contigo, SIM! Sim, sim, para sempre, nós as duas...

PARABÉNS para vocês!

PARABÉNS PARA TI! Neste dia que também é só o teu!


* "Em Nome da Terra", Vergílio Ferreira

Etiquetas:

1.12.06

A estranheza da ausência




Inaugura hoje a loja do projecto A4.

Fica em Leiria, e conta com a presença de 4 artistas:
...The White Cranes (Marta e Rafaela Teves), Um Quarto de Ideias (Sara Aires) e Ampola (Sandrine Vieira)...

Eu artista? Eu presente?

Projecto A4 feito com 3 pares de mãos...


Apareçam!

Etiquetas: