Lição 6 || Revolução Cultural

© Rafaela Teves
Antes de deixar de ir às aulas, houve um texto que falava sobre o gosto que as pessoas de Pequim têm em falar sobre política.
Que venham ventos ou tempestades, venham revoluções culturais ou boxeurs, que eles continuam a ter a coragem de falar sobre política, o regime e o sistema.
Se eu não tivesse tido aquela aula, ia jurar que era mentira ler um textos destes, que era só para ocidental ver.
Mas depois a professora pôs-se a falar sobre a Revolução Cultural e o Bando dos Quatro, e o quanto os seus pais tinham sofrido por irem para o campo e terem ficado dez anos sem poder ir à escola, mas que até eram uns felizardos, porque não tinham ido para o sul, aí é que era, couro e cabelo, e o quanto eles até lhe diziam para ela nem falar mal e o quanto aquela geração nem sequer quer falar, que é mesmo muito calada.
Eu até já desconfiava que as coisas estavam a mudar neste sentido.
Ela deu-nos vários temas à escolha, no início do ano, para desenvolvermos por escrito, e muitos desses temas incluíam assuntos que considerava tabu...
E depois um dia fui jantar, e um grupo de chineses meteu conversa e até me perguntou o que achava sobre a questão de Macau.
E depois vi dois filmes sobre a Revolução Cultural: "O Papagaio de Papel Azul" e "Chine, Ma Douleur". Já tido lido "Cisnes Selvagens".
E, de facto, é incompreensível, nas palavras da minha professora, tudo aquilo que se passou.
Nas palavras da minha professora!
Ouvir isto dum chinês nem chega a ser magnífico, pela surpresa, mas é uma surpresa.
No entanto, as pessoas continuam a ir a Tiananmen tirar fotos com o retrato do sr. Pêlo* da Verruga em fundo, às portas da Cidade Proibida dos ex-imperadores.
Continua a haver Tiananmen e o massacre (já sem Mao). Continua a China a bater recordes em execuções (minimizadas oficialmente em 4 a 6 vezes!). Continua a haver presos políticos e jornalistas presos (vêm aí os Olímpicos e há medalhas a ganhar). E as pessoas não se podem revoltar se isso implicar a política vigente.
E isso agora é o progresso!
O progresso em nome do povo!
É, os chineses, como sempre, continuam habilmente a deturpar tudo.
Porque, segundo agora consideram, o capitalismo sempre foi um dos estádios para o culminar do comunismo!
Esta parte é para chinês ver...
Ou então é para se esquecer...
Só há memória para os caracteres!
* Mao (de Mao Zedong 毛泽东), entre outras coisas, significa pêlo.
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