30.6.06

Redundância


© Rafaela Teves

Não consigo parar de ver as minhas fotos favoritas no flickr....

São todas lindas, ou não fossem elas favoritas minhas. Faz-me apetecer ter sido eu a tirá-las, a ter sido eu a estar lá... Uau...
As coisas bonitas fazem-me feliz!!!




Descobri esta menina-maravilha via Whipup: desenhos lindos, técnica fantástica, imaginação estranha... Arrepio...

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29.6.06

Dos livros



É a segunda vez que o leio, e que a conheço, que a visito e espreito... e lhe dou forma...

Talvez apenas com O Perfume tenha sentido o peso grande dum livro, ele a entranhar-me sem eu dar conta....
Nessa época, como um cão, farejava tudo, inspirava o ar e tudo o mais que viesse.

Ao conhecer este novo mundo, e depois de ter estado bem lá perto, depois de já o ter lido antes de me cruzar mais de íntimo com os japoneses, lendo-o agora depois duma primeira vez e depois do cruzamento, é como se nunca o tivesse lido, porque há tanto de novo, ou é como se o lesse todos os dias, como se sempre estivesse lá estado, dentro da história, daquelas vestes, com aqueles rituais e gestos.

Compreendo mais, vejo-me a ceder e a aceitar um pouco...

Até em mim há uma acalmia maior, um modo de actuar não dissimulado, mas intrinsecamente mais terno... ou será ponderado?...

Tenho medo em vê-la na tela. Mas queria, para poder concretizar nas 2d do ecrã as 2d da minha imaginação.
Mas sei que é pouco provável que a realidade cerebral que criei seja superada.
As estórias que cada um escreve na cabeça sobre as estórias que lê no papel são sempre as melhores...

À excepção do Mr. Darcy...
Esse foi mesmo criado com a série, e quando li o livro, não podia imaginar outro que não o Colin Firth. Felizmente, no filme, o Mr. Darcy não é tão central como nos outros. Quase que não gostei, só pela ausência do original...

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28.6.06

... 2




© Rafaela Teves


Vou-te escrever um poema de amor
Porque ele tudo abarca
Porque nele, tudo é directo
E só os versos mais simples o podem revelar

Até te posso dizer aqui
Que o meu país
Tem a luz que nenhum outro tem!
Também te posso dizer
Que o sol é mais bonito
Que há pássaros a voar por todo o ar
Mesmo em pleno Inverno
E que as flores não vêm só na primavera
Que há o cheiro do mar
No meio de tiananmen
Há o cheiro que sempre procuro
Em todas as coisas que tocas
Até na tua almofada se sente que há amor

Há amor em todo o lado


Quando passeias

Até mesmo quando passeias triste no parque dos bambús
Quando passeias triste nas ruas tristes de Pequim

Quero dizer-te, com tanta força,
Eva, a primeira,
Nos olhos, nas unhas e nos dedos
Nas coisas que não se podem explicar
Embrenhadas em toda a sua simplicidade

Porque já usei tantas palavras
Para te dizer que há amor
Quando ambas estamos sentadas
Uma ao lado da outra
No silêncio…
Somente com a plenitude
A quebrar
O amor que existe em tudo
E não se sente…

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25.6.06

O sentido da vida

Andar desnorteada não pode ser coisa boa.

Se para nós é o norte que nos orienta*, seja na bússula, na magnitude da terra, nas estrelas ou nos mapas, para outros, há-de ser outro o sentido do cérebro.

Por exemplo, para os chineses, o norte é o lado para onde se deitam os mortos, por isso, na hora de dormir, nunca se deve virar a cabeça para este lado. Segundo as regras do fengshui, as casas devem ficar orientadas a sul. O sul é o dedo-mestre: é lá que há toda a luz do yan e do sol, e mesmo a palavra guia se escreve com os dois caracteres que significam sul + indicar = o que indica ou aponta para sul. Lá, as tabuletas com os nomes das ruas informam-nos sempre para que sentido podemos ir.

Para outros e outros, o lado onde estamos e para onde nos dirigimos pode tomar outros rumos.
Se estamos no hemisfério sul, a nossa cabeça fica virada para onde?
E porque é que não podemos passar o tempo a ir para oeste, onde o sol se põe, mas nunca se deita?


* Mas depois pergunto-me: "Como é que o norte nos pode levar a oriente?"...

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24.6.06

Exigência à minha terra V


© Rafaela Teves

Quero poder comer iogurtes de frutos exóticos com a percentagem de gordura e açúcar normais.
Com ou sem bifidus activo. Com ou sem l. casei imunitass. Com ou sem fibras.

Que me saciem por inteiro, com todas as calorias a que tenho direito.

Com leite, de preferência…


(…quem diz iogurtes, diz bolachas, pão, queijo, água, …)

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Paz no Corno!


Morre-se por nada vezes demais neste mundo.



Nunca tinha ouvido falar nele, mas há anos que guardo maternalmente um recorte antigo do jornal com esta foto, que só agora, pelas mais tristes razões, sem quem captou.

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23.6.06

Adoro jogar conversa fora




© Rafaela Teves

Algumas expressões em brasileiro significam muito mais do que em português.

Já Sophia dizia, no seu Poema de Helena Lanari:

Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto de vogal
Quando Helena Lanari dizia o "coqueiro"
O coqueiro ficava muito mais vegetal


Por isso eu adoro jogar conversa fora...

Principalmente quando não se diz nada de novo, mas se aprende a triplicar ao quadrado.
Às vezes, a diferença está no recipiente que ouve e no oráculo que fala.

Cerejas, cerejas, cerejas... que se enfileiram sem parar...

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20.6.06

Let's go shopping (with my daddy's credit card...)

Ou ainda falta tanto tempo para o Natal...
Ou post muito laranja de links...



Mlle Heloise: nunca os legumes foram tão lindos, os colares tão coloridos e os sacos tão giros... (via tagadacha).

Ilisu: menina linda, pequenina, que faz t-shirts como ela...

Natalia Milosz-Piekarska: faz bijuteria sem-palavras, e alguma dela vende-se aqui.

Chidoriya: cosméticos japoneses, incluindo o famoso creme de pooooop de rouxinol, usado pelas geishas (via Kimi).

Suzhou-Cobblers: nunca uma lojinha tão minúscula teve tantos sapatos-maravilha (os meus preferidos são os das couves e os dos pompons).

Wabi Jersey da Camper: uns verdes para quando fizer frio.

Jane Broket: uma (ou todas) para dormir mais aconchegada.


Por cá:

Rosa Pomar: o novo saco de abrir e fechar...

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Lisboa, menina, moça





© Rafaela Teves

A nossa capital é muito diferente do resto do país.

Tem uma luz única, tem ruas únicas e gente única.
É só na capital que posso subir e descer o Chiado sem me cansar, e que descem o Chiado comigo um africano, um indiano ou paquistanês, um cigano, um chinês e rores de japoneses...

A nossa capital é linda e cosmopolita, é cheia de vida e de cultura(s).

Tem um cheiro diferente ao pôr-do-sol, e tem um cheiro de pôr-do-sol de primavera que é diferente do pôr-do-sol de inverno.
Tem ainda os restos de festas de que não pude fazer parte.

É lá que encontro pessoas que não vejo há muito tempo, "mesmo sem marcar encontros" (como aqui), e é lá que encontro, assim que chego, gente da minha terra que agora é de lá.
É lá que conheço gente nova, que não sei se volto a ver.

É lá que aprendo, com uma menina de 5 anos, como se manda parar a chuva...

"Ó chuva, pára, pára... Pára de fazer festinhas à minha cabeça..."
"Ó chuva, pára, senão a gente pisa-te..."

É lá (e aqui) que me ensinam novas sobre outras paragens e me abrem os horizontes sem passar fronteiras...

Falo sem parar, perco-me pelas noites nas ruas, canso-me cheia de alegria, vejo, vejo, olho tudo, absorvo filmes infiltráveis. Vou ao estádio e não há futebol e ao pavilhão chinês sem olhos em bico.

Passa o tempo depressa e já tenho que voltar.

Como é que dizemos adeus a esta cidade?

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14.6.06

Uma palavra nova por dia, não sabia o bem que me fazia...

Aqui aprendi uma das mais lindas palavras de sempre:

...care giver...


Agora já só volto não sei quando...
O meu fim-de-semana começa amanhã e vou estar em Portugal, que estou farta de paisagem...

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13.6.06

As efemérides do dia de Sto António



© Rafaela Teves

Nascem Yeats e Pessoa...
e ainda o Luís do Porto (MUITOS PARABÉNS!)...

Morrem o santo, António Variações, Al Berto, Álvaro Cunhal e o poeta-menino...


(uma vez mais)...



Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

Eugénio de Andrade 1923 - 2005

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Novas e boas


© Rafaela Teves


Há coisas novas cá em casa...

...um gato e......um cão...

...

Coisas boas da minha terra II, embora que com algumas ausências:

uma (ainda em construção),

duas (desactualizada)...

...

É bom quando alguém nos faz feliz!

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9.6.06

Essence of the (k)not

Ontem ouvi isto* e revi(vi) coisas que há muito não sentia.

Adoro quando parece não haver matéria no ar...

Quando era mais pequena, perguntava-me se seria possível não se tocar nunca em nada.
Brevemente cheguei à conclusão que era impossível, pelo menos enquanto eu fosse eu e o meu corpo, e mesmo assim, será que eu sem o meu corpo não tocaria o ar?
Mas afinal, como seria?
E como seria o nada?
O nada mesmo…. O nada sem o conceito de nada…
E qual seria a cor do nada? E será que há cores que ainda não foram inventadas?


Não sei. A música faz destas coisas em mim, coisas que crescem e que são muito fortes e que levam o meu corpo a tentar expulsá-las através de movimentos e de danças sem sentido... Sentimentos de inexistência ou de hiper-existência, um apartar-me de mim mas comigo, é eu lá estar mas ser mais do que eu, mas eu sozinha...


É mais ou menos como pormo-nos debaixo duma tília ao pôr-do-sol e deixar que aquela brisa de chá aéreo nos invada....



* Mais um dos inúmeros presentes lindos recebidos pelo meu aniversário...

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1.6.06

26



v-i-n-t-e-e-s-e-i-s anos...



...


Grande é a poesia,
a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

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